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sábado, 25 de agosto de 2012

EDUCAÇÃO “O PROFESSOR DE CABRÁLIA-BA”



A quadra era descoberta com piso de cimento grosso. A tabela de madeira e aro de ferro. Quando chovia não treinávamos. Em outubro e novembro mês que ventava muito, a tabela balançava dificultando bem o encaixe da bola no cesto. As bolas, uma ou duas melhores, guardadas para o coletivo. Dez ou doze ainda em condições razoáveis e as demais (mais de 20) em péssimas condições (ovais, ou já gastas).

Ainda assim, o Garfo Clube, clube em Governador Valadares onde por mais de 10 anos fui atleta de basquete federado, produziu atletas memoráveis, que representaram a cidade em diversos estados e países. De muitos, me recordo de alguns destaques: Paulão Couto e Reinaldo (índio) que jogaram em equipes do Rio de Janeiro (Flamengo e Botafogo). Pascoal, em Vitória (ES) (Saldanha da Gama). Zé Maria, Aloísio, Pablo, Rogério Chiste, Ricardo Pisóler e vários outros no Minas Clube e Ginástico em Belo Horizonte. Maurício Morais (hoje vereador em GV) que integrou Seleção Brasileira Juvenil em torneio no Chile.

  Mas de todos, os que mais se destacaram foram Sérgio Fabri “Serjão” e Maurício Gomes “Magôo”, meu colega de basquete e de escola. Jogaram em Universidades nos Estados Unidos da América, chegando inclusive a fazer testes para a NBA. Fora estes, que recordo rapidamente, muitos outros adquiriram destaque na prática deste esporte.

  A pergunta então que surge naturalmente é: “Como pode ser que tantos atletas de destaque tenham saído de um clube com tão precária condição de treinamento” ? 

A resposta ? Simples. Guilherme Giesbrecht Neto, o nosso PROFESSOR de basquete. Conhecedor profundo da “matéria” que ensinava, era, como todo professor, um abnegado. Tinha que compensar o orçamento familiar trabalhando com representação comercial. 

  Quando nem sonhávamos com TV a cabo ou com internet, ele para aperfeiçoamento de seu conhecimento pedia sempre a algum amigo que trouxesse ou enviasse dos EUA, fitas de vídeo com jogos e sistemas de treinos da NBA. Sabendo muito e dominando o tema, transmitia como poucos o seu conhecimento aos seus alunos. “Formou” desta forma, no basquetebol, pelo menos cinco gerações de jovens, que ao longo de anos, tiveram o privilégio de tê-lo como professor de basquete. 

A quadra era muito ruim, era.  Mas o PROFESSOR era muito, mas muito bom. 

  O mesmo princípio se aplica a EDUCAÇÃO ESCOLAR. O que verdadeiramente importa, ou pelo menos deveria importar no aprendizado,  É A QUALIDADE DO PROFESSOR. Ter boas instalações é importante para dar melhor condição de ensino, é. Mas muito, mas muito mais importante é dar condições a quem ensina de aprimoramento do seu conhecimento, de tal forma que o PROFESSOR possua o mais completo domínio da matéria que leciona, para que possa melhor transmitir para o aluno. 

Dá desespero saber que um país que arrecadou quase R$ 1.000.000.000.000,00 (um trilhão de reais), em 2011, e vem melhorando a cada ano sua arrecadação, na educação está (des) classificado entre os piores do planeta, ficando atrás, apenas para ilustrar e sem querer desmerecer qualquer destes países, de El Salvador, Namíbia, Bolívia, Paraguai e Peru, dentre outros. 

Não tem como melhorar a educação sem investir significativamente e de forma intensiva na formação e no aprimoramento do PROFESSOR, pois sem este investimento, que é prioridade absoluta em qualquer país desenvolvido do mundo, não tem avanço na Educação. 

Somos a 7ª economia do mundo, mas estamos classificados em 84° lugar no Índice de Desenvolvimento Humano, IDH, do programa das Nações Unidas que mede a qualidade de vida nos países. Não faz sentido. Precisamos corrigir. Agora, só tem um jeito de corrigir está discrepância,  EDUCAÇÃO. 

Melhorar a educação de um povo sem investimento forte no PROFESSOR  ? Chance zero.  Boas escolas são importantes ? Não tanto quanto o PROFESSOR. Sem professores bem preparados e bastante capacitados qualquer investimento na educação é nulo. Quem pode de fato melhorar esta situação e trazer resultado são os PROFESSORES. 

É importante então compreender que a melhoria da EDUCAÇÃO só vai acontecer de fato, quando o investimento no PROFESSOR for prioridade absoluta. Sem investimento no PROFESSOR, não há qualquer chance de melhoria na educação. Sem melhoria na educação, não há qualquer chance de melhoria no Índice de Desenvolvimento Humano. Sem uma boa classificação nos índices do IDH, não adianta muito ser a 7ª economia do mundo.

Óbvio, dirá o leitor. Bom, deveria ser...


Loredano Júnior é advogado e filiado ao PARTIDO VERDE 

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